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Fiador ou seguro-fiança: o que custa mais

Fiador não tem parcela, mas pode custar a casa própria de quem assina. Seguro-fiança tem boleto todo mês, mas isola o risco do inquilino no papel da seguradora.

Equipe Viretto

CRECI/SP 054395-J · publicado em 15 de setembro de 2026

Um casal fecha aluguel de R$ 2.200,00 num apartamento em Valinhos e esbarra na mesma pergunta de sempre: pedir fiador para alguém da família ou pagar por um seguro-fiança. A resposta muda o valor que sai do bolso todo mês, e também o risco que fica em aberto se o aluguel atrasar.

O que a lei permite cobrar

A Lei do Inquilinato lista as garantias que um contrato de locação pode usar: caução, fiança (o fiador), seguro de fiança locatícia e cessão fiduciária de cotas de fundo de investimento. O artigo 37 dessa lei é claro em um ponto que confunde muita gente na hora de negociar: é proibido misturar duas modalidades no mesmo contrato. Ou o locatário entra com fiador, ou contrata o seguro, ou usa caução. Nunca duas ao mesmo tempo.

Isso significa que a escolha entre fiador e seguro-fiança não é só uma questão de gosto. É a única garantia que vai sustentar o contrato inteiro, do primeiro ao último mês.

Fiador custa zero por mês, mas aposta a casa

Pedir alguém para ser fiador não gera boleto. É por isso que tanta gente ainda prefere essa rota: parece de graça. Não é.

A Lei 8.009/90 protege o imóvel residencial próprio de qualquer pessoa contra penhora por dívida, com uma lista de exceções. Uma delas, no artigo 3º, inciso VII, tira essa proteção exatamente de quem assina fiança em contrato de locação. Na prática, se o inquilino não paga e o fiador também não cobre, a casa própria do fiador pode responder pela dívida, mesmo sendo o único imóvel que ele tem.

O custo do fiador, portanto, não aparece na planilha. Aparece no risco que uma pessoa da família ou um amigo assume, muitas vezes sem entender essa exceção da lei.

Seguro-fiança tem parcela certa

O seguro-fiança troca o fiador por uma seguradora, que cobre o proprietário se o aluguel não for pago. Segundo a corretora BrSeguro, o prêmio costuma ficar entre 8% e 16% ao ano sobre o valor do aluguel, dependendo do perfil de crédito do inquilino. Para um aluguel de R$ 2.000,00 por mês, isso dá uma parcela mensal entre R$ 133,00 e R$ 267,00, cobrada junto com o boleto do aluguel.

Ao longo de um ano, esse mesmo aluguel de R$ 2.000,00 soma entre R$ 1.596,00 e R$ 3.204,00 só de seguro. É dinheiro que sai todo mês, mas sem colocar patrimônio nenhum em risco.

Como o prêmio é um percentual sobre o aluguel, ele sobe junto quando o contrato é reajustado. O índice mais usado para isso é o IGP-M, que nos últimos meses andou negativo: -0,50% em junho, -1,16% em julho e -0,22% em agosto de 2026, segundo o Banco Central. Nesse cenário, quem paga seguro-fiança sentiu o aluguel cair um pouco, e a parcela do seguro acompanhou.

O que pesa mais no bolso, na prática

Hoje, dos imóveis que a Viretto tem para alugar em Valinhos, os valores vão de R$ 2.200,00 a R$ 17.000,00. Quanto maior o aluguel, maior o prêmio do seguro-fiança em reais, porque ele é sempre uma fatia do valor mensal. Já o fiador não muda de preço com o valor do aluguel: o risco dele é o mesmo, seja o contrato de R$ 2.000,00 ou de R$ 17.000,00, porque em qualquer dos dois casos o que está em jogo é a casa própria dele.

Isso inverte a lógica de quem acha que fiador é sempre mais barato. Fiador não custa dinheiro, mas custa uma garantia real de patrimônio, oferecida de graça por outra pessoa. Seguro-fiança custa dinheiro todo mês, mas isola o risco: quem paga é o inquilino, quem cobre é a seguradora, e ninguém perde a própria casa por causa do aluguel de terceiro.

Na Viretto, ajudamos o locatário a rodar essa conta antes de assinar qualquer coisa, porque depois que o contrato começa, a garantia escolhida é a que vale até o fim.

Antes de decidir

  • Converse abertamente com quem vai ser fiador sobre o risco de penhora do bem de família, previsto no artigo 3º da Lei 8.009/90.
  • Peça cotação de seguro-fiança em mais de uma seguradora: a faixa de 8% a 16% ao ano é larga.
  • Lembre que a lei proíbe combinar duas garantias no mesmo contrato: a escolha é definitiva para aquele contrato.
  • Leia a apólice para saber se ela cobre só o aluguel ou também condomínio, IPTU e reparos no fim do contrato.
  • Calcule o custo do seguro para o prazo inteiro do contrato, não só para o primeiro mês.

A pergunta não é só qual documento assinar primeiro. É quem paga a conta se o aluguel atrasar: o fiador, com a própria casa, ou a seguradora, com uma apólice que o inquilino financiou mês a mês.

Onde a gente conferiu

Lei 8.245/91 (Lei do Inquilinato), art. 37, texto consultado em 15/09/2026 (via modeloinicial.com.br, fonte declarada Planalto)

Consultado em 15/09/2026

Lei 8.009/90, art. 3º, inciso VII, planalto.gov.br, consultado em 15/09/2026

Consultado em 15/09/2026

BrSeguro, "Quanto Custa o Seguro Fiança em 2026? Tabela por Valor de Aluguel", atualizado em 14/08/2026

Consultado em 15/09/2026

Banco Central do Brasil, SGS série 189 (IGP-M), consultado em 15/09/2026

Consultado em 15/09/2026

API pública do CRM Viretto, consultada em 15/09/2026

Consultado em 15/09/2026

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